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22 de fev. de 2012

Nos faltam palavras...

Estou cá matutando, aliás há um bocadinho de tempo, para encontrar em palavra (uma só) que signifique educação de berço, aquela que nossos pais nos ensinaram, aquela de base, que nos indicam o caminho de formação enquanto ser humano. Sem nenhuma relação com a educação escolar, de conteúdos. Alguém conhece?

Achei interessante ter no finlandês duas palavras diferentes para formação: kasvatus (formação enquanto pessoa, aquela relacionada a valores humanos) e koulutus (formação escolar).

Penso que a língua retrata os valores de uma cultura.

O que se quer com o Ensino Médio?

Penso que o ensino médio deveria ser uma ponte segura e clara para carreiras profissionais ou acadêmicas e não uma montanha de conteúdos sem nenhuma interação com o futuro profissional de cada aluno. Isso é tratar todos como uma manada. 

O ensino médio deveria ser voltado para o desenvolvimento de competências e potenciais de cada aluno, desde estudos vocacionais passando por adequações de conteúdos, para a melhor formação e integração satisfatória no campo profissional da pessoa.

8 de fev. de 2011

ISSO TAMBÉM PASSA

Essa é uma frase que sempre me acompanha na vida e a ensinei a meus filhos. Quero compartilhar com vocês, pois me ajuda muito a sempre buscar o equilíbrio do meio do caminho. Na vida, sejam coisas ruins ou coisas boas, tudo passa. O importante é como você passa por elas.

Certo dia um sacerdote percebeu a seguinte frase em um pergaminho pendurada aos pés da cama de seu mestre: "ISSO TAMBÉM PASSA", e com a curiosidade inerente de cada ser humano resolveu perguntar:

Mestre, o que significa essa frase em cima de sua cama dizendo "ISSO TAMBÉM PASSA"?

E o mestre sem titubear lhe responde: A vida nos prega muitas peças, que podem ser boas ou não tão boas assim, mas tudo significa aprendizado. Recebi esta mensagem num desses momentos de dor onde quase perdi a fé.

Ela é para que todos os dias antes de me levantar e de me deitar possa ler e refletir, para que quando tiver um problema, antes de me lamentar eu possa me lembrar que "ISSO TAMBÉM PASSA", e para quando estiver exaltado de alegria, que tenha moderação e possa encontrar o equilíbrio, pois "ISSO TAMBÉM PASSA". 

Tudo na vida é passageiro assim como a própria vida, tanto as tristezas como também as alegrias, praticar a paciência e perseverar no bem e nas boas ações, ter simplicidade, fé e pensamentos positivos mesmo perante as mais difíceis situações é saber viver e fazer da nossa vida um constante aprendizado.

É ter a consciência de que todas as pessoas erram, de que o ser humano ainda é um ser imperfeito em busca da perfeição e por isso ainda sofre, é saber que se muitas vezes nos decepcionamos com pessoas é porque esperamos mais do que elas estão preparadas para dar, dentro de seu contexto e grau de compreensão. Deste modo meu amigo, toda vez que olho para essa frase, meu coração se aquieta e a paz me invade, pois sei que "ISSO TAMBÉM PASSA".


Recebi por e-mail

Texto atribuído a Val Sliepen

6 de mar. de 2010

MEDITAÇÃO CONTEMPLATIVA

O budismo ajudou-me muito a me tornar uma pessoa mais feliz, mais calma, mais tranquila, mais equilibrada.
E dentre muitas práticas, no budismo fazemos a meditação contemplativa que é a meditação com objetivo e focada em algo sobre o que queiramos meditar. A meditação contemplativa é o caminho de aprendizagem para nossa mente. Por esta via, nossa mente abre-se e assim alcançamos os resultados transformadores que desejamos.

Uma amiga minha comentou que a incomoda sua mente que pensa e pensa e pensa e não para de pensar. E sei bem o que é isso...eu chegava a ficar exausta de tanto pensar. Com a meditação me dei conta de que nossa mente, quando desgovernada, é como um cavalo selvagem que nos domina e nos leva para onde ela determine...sabe-se lá para onde. Lembro-me que muitas vezes, antes da meditação contemplativa, eu pensava sobre alguma coisa que tinha visto e quando via já tinha se passado sei lá quanto tempo e meu pensamento já havia vagado por inúmeras histórias, lugares e personagens reais e fictícios...era um horror. Algumas vezes perdi a parada da descida do ônibus, outras dirigia uns quatro quarteirões sem me dar conta nem de sinal, nem de cruzamentos, nem de nada... assustador!

Bom, voltando para a história de minha amiga, hoje ela comentou de novo sobre esse pensar e pensar e penssar em nada e em tudo por nada. Então resolvi tentar ajudá-la ensinando a meditação contemplativa. Só que tive que adaptar, porque no Budismo a usamos dentro de toda uma construção de pensamento filosófico de vida numa visão Budista, e como não acredito que impor a minha verdade para os outros seja "a verdade", tentei adaptar para quem não é Budista. No caso dela, católica. Então, pensei que seria interessante compartilhar com outras pessoas que busquem soluções para suas mentes incontroladas.

Aqui está:

Quanto a você pensar, pensar, pensar e nada producente e transformador em sua vida...pode lhe ajudar a meditação contemplativa. É ótima para pessoas que pensam demais.
A meditação contemplativa consiste basicamente em meditar sobre um determinado assunto. Não é deixar a mente em "branco" ou num "vazio". Vamos lá:

- já que você é católica, procure escolher um bom livro, ou boas mensagens, daquelas que dizem respeito a sermos seres humanos melhores. Mas nada que traga assuntos relacionados a pecado, castigo...coisas negativas não. Tipo: como desenvolver o amor fraterno; como desenvolver a solidariedade; como diminuir o auto-apego e o auto-apreço; como ajudar os outros a serem mais felizes...etc de preferência lições que nos voltem para as outras pessoas e não para nós mesmos nem para fazer nosso ego maior do que já é.
- escolhido o livro ou textos, escolha um dia da semana para fazer a meditação contemplativa.
- no dia escolhido, sente-se em um lugar confortável, tranquilo, silencioso em que possa ficar sentada, com a coluna ereta e que ninguém a  perturbe. Pode sentar-se numa cadeira ou no chão e, se quiser, com as pernas na posição de lótus. As mãos ficam sobre o colo voltadas para cima, a esquerda embaixo como na figura ao lado de Buda. O corpo deve ficar numa posição em que consiga ficar relaxado. Os olhos podem ser fechados sem força, desde que não apertados, ou meio que um pouquinho entreabertos.
Primeira parte: relaxamento (não precisa de música)

Primeiro faça um pequeno e fácil exercício de relaxamento por uns cinco minuto no início e aumente o tempo à medida em que for ficando mais fácil: relaxe todo o corpo, prestando atenção em cada parte e sentindo o relaxamento: primeiro a cabeça, o rosto, o pescoço, a nuca, depois os ombros (geralmente são os mais tensos junto com a nuca), as costas, o peito, os braços, as mãos, os dedos, a barriga, a pelvis, o bum bum, as coxas, as pernas, e enfim, os pés. Perceba seu corpo todo relaxado. Em seguida, preste atenção na sua respiração. Respire lentamente e focando sua atenção na respiração. Primeiro inspirando, devagar e profundo, prende um pouquinho a respiração e solta o ar devagar expirando, prende um pouquinho e repetindo várias vezes. Sempre prestando atenção somente na respiração...quando sua mente começar a vagar além da respiração é importante sempre trazer a mente de volta e somente à respiração para que sua mente vá aprendendo a ser comandada por você e não continuar como um cavalo selvagem que lhe domina. O tempo para esse relaxamento você é quem determina, conforme sinta-se bem. Se começar a cansar, é porque está na hora de parar.

Segunda parte: preparação

De olhos fechados, faça suas orações, escolha as que você acha mais bonitas, as que têm um sentido mais de ligação com o divino e com as criações divinas, e ore com fé, pensando e sentindo cada palavra. A oração não deve nem ser curta demais nem longa, mas o tempo suficiente para que se conecte com o divino e não se canse.
Obs: a ligação com o divino é importante por abrir nossos canais de transcedência que o mundo da lógica e da racionalidade do dia-a-dia exclui.

Terceira parte: iniciação à meditação

- em seguida, faça a leitura do texto que escolheu. Lembrando que a escolha deve ser de textos curtos de uma, duas, no máximo três páginas de livro por meditação. Leia, viajando pelo texto. Faça pausas nos parágrafos, medite sobre o pedaço que leu. Se o pensamento fugir para outros assuntos, volte a atenção para o texto. E de novo e quantas vezes forem necessárias. No começo isso acontece muito, mas com o tempo nossa mente vai aprendendo a ficar mais focada.

Quarta parte: a meditação contemplativa

- Quando terminar de ler o texto, deixe o material de lado, feche os olhos e ainda sentada com a coluna ereta medite sobre o que leu: qual foi o ensinamento? como aplicar na sua vida? o que você precisa melhorar em si mesma para conseguir aplicar o ensinamento em sua vida? Imagine você já exercitando o ensinamento no seu dia-a-dia, nas situações de sua vida.

Quinta parte: agradecimentos

- Ao sentir que seu tempo de meditação foi satisfatório encerre com uma prece de agradecimento a Deus por sua vida, pelos ensinamentos, a todos os seres vivos, porque de alguma forma ou de outra todos os seres vivos contribuiram e contribuem para que você esteja aqui e desenvolvendo sua caminhada, e pedindo-Lhe que esteja sempre lhe orientando e dando-lhe as ferramentas ncessárias para ser uma pessoa cada vez melhor e poder aplicar no seu dia-a-dia o que vem aprendendo.

Observações:

1) O tempo da meditação vc é quem determina para que não se canse. É importante não se cansar, senão seu inconsciente irá ter mais um motivo para boicotar a meditação no início. Então, comece com pouco tempo e vá aumentando na medida em que isso for lhe dando prazer, satisfação e bem estar.

Durante toda a semana após a meditação, sempre que puder, procure lembrar-se do assunto, o que foi o ensinamento e buscando no seu dia-a-dia oportunidades de poder aplicá-lo. Sinta-se de bem com a vida,  com tudo que existe e perceba que a vida é um presente divino e que à sua volta há uma riqueza de vida imensa. São boas oportunidades de reforço da aprendizagem meditar novamente, relembrando o que aprendeu com a meditação enquanto caminha, lava a louça, toma banho, no ônibus, etc

Lembre-se: tudo na vida exige esforço e nada acontece da noite para o dia. Aprendizagem demanda foco no objetivo, tempo, esforço, paciência e aos poucos vai-se desenvolvendo sabedoria.

Parece muita coisa à primeira vista, mas na prática, o tempo de meditação será definido por você mesma e dependerá unicamente de seu esforço.

Com o tempo você verá que sua mente se acalma mais e segue seus comandos, com objetividade, trabalhando a seu favor e não como uma coisa sem controle que lhe domine. No começo nossa mente fica querendo boicotar nossa intenção mas com o tempo ela se acalma porque percebe os benefícios. O Budismo nos ensina que o caminho somente pode ser caminhado com esforço, concentração, disciplina moral (conduta reta sem moralismos falsos), paciência e sabedoria, que vamos desenvolvendo mais e mais à medida que avançamos.

Boa meditação!

17 de fev. de 2010

ROLANDO TORO PARTIU ONTEM

Rolando Toro Arañeda, criador da Biodança e das bases da Educação Biocêntrica, não resistiu ao tratamento quimioterápico e faleceu ontem, 16/02 no Chile. Ainda sem confirmação, provavelmente o sepultamento será no Chile, na próxima sexta-feira, após a chegada dos filhos.

A história da Biodança está intrinsecamente vinculada à história de Rolando Toro. Quando eu ainda estava estudando na Escola de Biodança fiz um apanhado dos muitos dados, informações e relatos cujas partes encontravam-se em diferentes fontes. O resultado compartilho novamente aqui com vocês, como minha homenagem a este importante legado, criado e desenvolvido por Rolando Toro ao longo de anos de estudos e experimentações para um ser humano mais humano, mais integrado à vida, mais leve, mais feliz, resultando na criação da Biodança, a qual contou com a importante contribuição de alguns estudiosos, notadamente Cézar Wagner no Brasil. Outra importante contribuição de Rolando Toro foi a criação e desenvolvimento da conceituação do princípio Biocêntrico, paradigma essencial da Biodança, que originou o desenvolvimento da Educação Biocêntrica voltada para a pedagogia do encontro, da vida saudável, integrada e feliz, cujo desenvolvimento teórico ainda encontra-se em processo e tem recebido importantes contribuições, principalmente da Psico-pedadoga Ruth Cavalcante, também no Brasil.

UM OLHAR SOBRE ROLANDO TORO E COMO ELE DESENVOLVEU SUAS CRIAÇÕES

HISTÓRIA DA BIODANÇA
Por Irene Nousiainen
Publicado neste blog em 08/05/2007, sincronicamente no Dia da Mulher.

A Biodança, abordagem de facilitação do desenvolvimento humano, foi criada por Rolando Toro a partir de um movimento profundo em favor da vida.
O seu modelo teórico e metodológico vem sendo construído nos últimos quarenta anos, tendo seu marco inicial em 1965, quando se deu o início de sua sistematização por Rolando Toro.

A seguir apresento alguns dos inúmeros momentos importantes que vão tecendo a história da biodança e extraídos de diversas fontes que estão citadas na coluna ao lado deste blog.

01.01. Nascimento, sistematização e difusão da Biodança - uma história de muitas histórias.

Rolando Toro Arañeda, nasceu em 1924, em Concepción no Chile. Foi psicólogo, antropólogo, poeta e pintor, dentre outras muitas qualidades.

Tanto no Chile como em Buenos Aires, para onde mudou-se aos 47 anos, o trabalho de Rolando Toro esteve voltado para as artes: pintura, poesia, fotografia, dança e teatro. Sua crença na possibilidade de um paraíso compartilhado o levou a buscar a fonte do "amor original", do amor ao próximo, com a essencial compreensão de um amor que inclui a dimensão corporal ativa - a carícia.

Buscou, portanto, desenvolver suas idéias sobre a "possibilidade do contato puro com a realidade viva, por meio do movimento, do gesto e da expressão dos sentimentos", utilizando a música, enquanto linguagem universal, a dança - integrando corpo, alma e a expressão do ser, plena de sentido, de felicidade, ternura e força. Como diz o próprio Rolando: "a biodanza é um modo de convivência com a beleza...em que o contato é essencial". (Toro, 2002: 9).

Ele sempre foi um autodidata e estudioso do desenvolvimento humano e de sua expressão, característica que mantém ainda hoje, com todos os seus 82 anos. Buscou sempre vivenciar profundamente o trabalho científico, acadêmico, artístico, bem como as experiências místicas não-religiosas, essenciais para a formação de todo o seu pensamento.
 
Suas experiências com músicas e danças em hospitais psiquiátricos, em meados da década de 60, objetivavam a experimentação de diversas técnicas de desenvolvimento humano para uma "humanização da medicina". Essas técnicas envolviam psicoterapias de grupo, arte-terapia, psicodrama, etc.

Nessas experimentações Rolando Toro observou que alguns pacientes, no início do trabalho, entravam em transe, surgindo modelos universais de expressão relacionados às diversas emoções. Essas observações o levaram à conclusão de que, se a música é capaz de promover este estado, então ela exerce influência no psiquismo e, portanto, ela seria capaz de promover bons resultados.

Foi assim, então, que Rolando Toro pôde estruturar seu trabalho, de modo a relacionar música, movimento e situações de contato e de continente afetivo formando uma unicidade.

Rolando, então, criou algumas danças e exercícios a partir de gestos naturais do ser humano, com finalidades precisas, a fim de estimular a vitalidade, a criatividade, o erotismo, a comunicação afetiva entre as pessoas e o sentimento de pertença ao universo, à totalidade.

A pesquisa científica sobre respostas neurovegetativas demonstrou que determinados exercícios promoviam uma ação reguladora em nível visceral, dinamizando ou o sistema simpático-adrenérgico ou o parassimpático-colinérgico. Observou-se, também, que outros exercícios "estimulavam emoções específicas que produziam efeitos altamente significativos sobre a percepção de si mesmo e do próprio estilo de comunicação afetiva com as outras pessoas". (Toro, 2002: 10). A estruturação dessa concepção originou a Psicodança.

A partir de então, a Psicodança foi sendo difundida e, em 1970, Rolando foi convidado a criar a primeira disciplina de Psicodança na Pontifícia Universidade Católica do Chile, onde o mesmo ocupava a cátedra de Psicologia da Expressão no Departamento de Estética.

Nesse período, acompanhou-o na pesquisa, sua companheira Pilar Acuña, responsável por dar à Biodança um caráter poético.

Com o desenvolvimento de seus estudos sobre Psicodança, Rolando Toro se deu conta de que sua estrutura poderia encontrar seus fundamentos nas ciências que tratam da vida e chegou à conclusão de que a essência do desenvolvimento humano não está nos aspectos psicológicos, e sim, nos biológicos. Havia, também, o fato de que o termo Psicodança já era utilizada no Psicodrama, por Jaccob Moreno, seu criador, em 1913, enquanto um de seus instrumentos.

Em 1971, já em Buenos Aires, onde passou a residir, Rolando Toro aprofundou ainda meus seus trabalhos com a dança, formalizando, então, o modelo operatório constituído de dois eixos .

Em 1976, a Biodança chega ao Brasil - em Brasília, Belo Horizonte e São Paulo. Nessa época, Rolando Toro incorporou ao modelo teórico linhas de vivência (movimento ascendente espiralado) e apresentou os primeiros conceitos de teoria da vivência e protovivências.

No Brasil, em meados da década de 70, em meio a um clima de libertação de toda repressão sexual e de expressão vivenciada em anos anteriores, a Biodança ganhou força por se apresentar como uma abordagem calma, sem produção de estresse emocional, com comunicação leve, aberta e direta, trabalhando com grupos de pessoas e utilizando a música e o movimento para a expressividade do prazer (de vida, sexual, criativo, afetivo e religioso) das pessoas, ao contrário das psicoterapias.

Em 1978/79, resultando de vivências, reflexões e discussões sobre a Psicodança, entre Rolando Toro, Cecília Luzzi - sua companheira nesta época que o ajudou a conduzir aperfeiçoamentos técnicos sutis e que desenvolveu sua aplicação em crianças - e, também, com contribuições de colaboradores mais chegados, a palavra Psicodança foi substituído por Biodança. Oficialmente, esta mudança aconteceu em março de 1979 no II Encontro de Biodança e III Assembléia Latino-Americana de Biodança, realizado em Belo Horizonte.

Esta mudança aconteceu essencialmente pela concepção diferente da Biodança sobre o ser humano, a sociedade e a vida, que parte do entendimento de que a vida é o princípio de tudo que existe. Foi uma questão mesmo de paradigma. A Biodança essencialmente rompe com a visão antropocêntrica e desintegrativa de mundo desenvolvendo uma compreensão de mundo biocêntrica: a vida não existe em função do ser humano, mas, o ser humano existe porque nele há a vida. A Biodança, segundo Rolando Toro é uma conjunção de arte, ciência e amor, conforme expressou em 1979:

"A base conceitual da Biodança provém de uma meditação sobre a vida, ou talvez do desespero, do desejo de renascer de nossos gestos despedaçados, de nossa vazia e estéril estrutura de repressão, Poderíamos dizer com certeza: da nostalgia do amor. Mais que uma ciência é uma poética do encontro humano, uma nova sensibilidade frente à existência."
A segunda metade da década de 70 e início dos anos 80, ainda fortemente marcada pela ditadura militar no Brasil, foi palco da perseguição à Biodança e a seu criador, Rolando Toro. Os Conselhos de Psicologia, principalmente da Regional Nordeste, no período de 1979 a 1984, questionaram e perseguiram a Biodança e Rolando Toro porque à época se divulgava que ele era psicólogo.

Roberto Crema, convocado por duas vezes ao CFP - Conselho Federal de Psicologia do Brasil, conseguiu esclarecer a diferença entre Psicologia e Biodança, usando argumentos sobre o Código e da Lei de Regulamentação do profissional de psicologia. À luz da lei, a Biodança jamais poderia ser confundida com a Psicologia.

Mas a luta por mercado e a disputa de poder levaram o CFP a denunciar Rolando Toro com base no Estatuto do Estrangeiro, criado pela ditadura, com a finalidade de expulsar os padres estrangeiros ligados à Teologia da Libertação por ir de encontro aos interesses da elite capitalista e do governo militar da época. Rolando foi então detido em 1982, por quatro horas, sendo solto por encontrar-se com o passaporte validado.
Em sua proposta, a Biodança radicalmente contesta toda e qualquer repressão sexual, levando os "moralistas" e "guardiões da moral" a tentarem de toda forma abortá-la. Alguns outros ainda contribuíram para estabelecer confusão quanto aos propósitos da Biodança, realizando "festinhas" como sendo sessão de Biodança - Biodança do oba-oba.

A Biodança no Brasil foi muito perseguida durante o final da década de 70 e início dos anos 80. Uma grande parte de seus facilitadores eram psicólogos e muitos sofreram ameaças dos conselhos de psicologia estaduais e do federal, inclusive de perda de diploma. Em meio a esse cenário, muitos a deixaram, chegando a quase esvaziá-la. Ainda assim, três encontros nacionais foram realizados com palestras de Rolando Toro, quando também facilitou sessões de biodança para alunos - um em São Paulo, outro em Belo Horizonte e o terceiro em Brasília.

Dado à conclusão que alguns chegaram sobre sua potência, em abril de 1980 foi definida uma estratégia inicial para a Biodança no Brasil. Hoje já existe uma estratégia mundial dado seu alcance em outros países.

Foi naquele ano que várias pessoas integraram-se à Biodança e que com ela até hoje trabalham. Dentre elas destaca-se o importante trabalho desenvolvido por Cezar Wagner, Ruth Cavalcante e de alguns didatas e facilitadores, para a sistematização e difusão da Biodança no Brasil. Ressalte-se também a forte orientação social da Biodança no Ceará devido aos ideais da Ruth, do Cezar e de outros ativistas sociais. Importante também, tem sido as atividades que vem sendo desenvolvidas por Ruth Cavalcante, uma das responsáveis pela elaboração da teoria da Educação Biocêntrica (surgiu no bojo da Biodança, a partir da visão biocêntrica de mundo, e que encontra-se em desenvolvimento) e sua difusão, inclusive por meio da academia, pós-graduando vários especialistas oriundos de quatro turmas.

Em maio de 1980 Rolando Toro, até então residente em São Paulo, de onde chegou a ir para Brasília, mas, depois retornando a São Paulo, veio para Fortaleza para desenvolver o movimento da Biodança, trazendo a Biodança ao Ceará. àquela época, alunos de Psicologia organizaram uma turma para um curso de Biodança ministrado por Rolando. Rolando, então, residiu em Fortaleza por quatro meses, tempo que realizou diversas viagens a João Pessoa, Natal, Recife, São Luiz, Salvador e Teresina, sempre acompanhado de um advogado para defendê-lo dos ataques dos conselhos de psicologia.

Em 26/05/1980, em Fortaleza, foi realizada reunião para elaboração de toda uma estratégia para o desenvolvimento da Biodança em diversas partes do Brasil, marcando o início da segunda fase da história da Biodança. Sua consolidação de fato foi viabilizada por sua proposta séria, conseqüente, profunda e organizada.

O início de sua implantação deu-se por ocasião de uma maratona de Biodança realizada por Cezar Wagner em dezembro de 1980, na cidade de Recife/PE, que marcou o início do Grupo Pernambucano de Biodança.

O primeiro e importante evento desta fase aconteceu por ocasião do Congresso de Biodança, realizado de 28/01 a 02/02/1981 em Fortaleza, sendo este, na verdade, além de IV Encontro Nacional de Biodança, também, I Congresso Nacional e I Congresso Latino-Americano de Biodança.

Nesse Congresso foram tratados diversos assuntos como: reavaliação das ações de Biodança; criação de grupos e/ou associações; programação dos encontros nordestinos; desenvolvimento sistemático da ação social; formação de facilitadores (carências, possibilidades e viabilidade que resultou na criação no ano seguinte da Escola Nordestina de Biodança). Todos os assuntos estavam relacionados à construção do movimento, à participação das pessoas, à organização, à profundidade, à preocupação científica e social, sendo tudo discutido e resolvido em grupo.

A ALAB enquanto entidade representativa, se impôs a partir de 1981, sendo sua gestão até 1985 conduzida por Rolando Toro como Presidente e por Cézar Wagner, Vice-Presidente, tendo exercido ações essenciais para a Biodança em toda a América Latina alcançar o grau de maturidade que hoje detém. Ressalte-se os períodos de 1989 a 1990, que contou com Maria Lúcia Pessoa na Presidência e com Ruth Cavalcante na Vice-Presidência responsáveis pela articulação necessária para estruturação, organização e criação das escolas de biodança e, de 1991 a 1995, com Cezar Wagner na Presidência.

Essas duas gestões resultaram na integração e expansão da Biodança com a realização de diversos eventos, publicações, sistematização da Teoria da Biodança nos Tomos de Biodança e na publicação dos Catálogos de músicas e exercícios, que levaram à unificação do programa de formação de todas as escolas de biodança.

Nesse esforço de fortalecimento e difusão da Biodança, em março de 1981, foi realizada uma aula aberta sobre Biodança, num encontro de psicoterapia, ocorrido em Recife, e para um grupo de psicólogos de João Pessoa.

Em 1982 Rolando Toro estruturou o modelo operatório e o modelos das vivências em um único modelo teórico.

Também em 1982, foi realizada em Fortaleza, uma mesa redonda sobre os diversos aspectos da Biodança da qual participaram um antropólogo, um advogado, em educador, uma psicóloga e um representante do Conselho Estadual de Psicologia, o qual acabou não tendo mais argumentações de rebate às colocações feitas sobre a Biodança.

Em 19 de outubro de 1982, foi criada, por Rolando Toro e Cezar Wagner, a primeira escola de biodança, a Escola Nordestina de Biodança - ENEB, com sede em Fortaleza. A escolha de Fortaleza deveu-se à sua eqüidistância de todas as capitais nordestinas e, também, por estarem ali, à época, polarizadas as ações de Biodança no Nordeste e de parte do Brasil.

A ENEB resultou do esforço de muitas outras pessoas engajadas no movimento: Índio (de Recife), Ruth Cavalcante, Lia Albuquerque, Sanclair, Rosário, Terezinha Façanha, dentre tantas outras. A escola congregava todos os grupos de biodança do Nordeste. De sua primeira turma formaram-se: Ruth Cavalcante (CE), Terezinha Façanha (CE), Zulmira Bonfim (CE), Gorete (PE), Orlando Rocha (PE), Mira (PE), Tereza (PE), Cláudio (PE), Sanclair (MA) e Nádia (MA).

A Escola funcionava em forma de maratonas, realizadas a cada 45 dias, com a participação de Rolando Toro e de Cezar Wagner e congregou alunos oriundos de todos os estados do Nordeste do Brasil. Sua meta sempre foi sintetizar e consolidar a Biodança no Nordeste, transferir teoria e prática de Biodança a pessoas interessadas, tornar possível a profissionalização do facilitador de Biodança e promover a supervisão aos facilitadores licenciados de Biodança.

O modelo da Escola Nordestina para construção, organização, aprofundamento e expansão da Biodança é adotado até hoje em toda a América Latina.

Rolando Toro, por ocasião da inauguração da ENEB, em carta aos alunos da Escola assim expressou seu sentimento:
"Desde acá, después de esos días de creación y amor, mis recuerdos permanecen encendidos y mis pensamientos se dirigen hacia uds. como hilos tendidos sobre una dulce eternidad.

Quiero comunicarles mi alegría por el trabajo realizado en conjunto. Estamos creando nuevas formas de civilización, donde se restablezca el respecto por la vida, por todo lo que está ahí ofreciéndose para nosotros, los alimentos, la floresta, el mar, los amores. Aprender a percibir eso sin esfuerzo nem ansiedad. Entender que el paraíso es una forma de relación con nuestro cuerpo y com la gente.

Es verdad que estamos cautivos por un sistema de dominación creado por mentes enfermas. Dentro de ese caos de opresión y muerte, luchamos por establecer las realidades básicas de la vida: el nascimiento, la alegría, la convivencia, al Arte, todo aquello que constituye el pulsante sueño mundial de vida. Cada uno de ustedes, al hacerse presente a nuestro llamamiento, pudo conectar con lo inmediato que ofrece la existencia. Al hacerse presentes, brindaron a cada uno de los otros lo mejor de Uds. mismos.

Esta carta no podrá nunca expresar todo el amor que recebí y la confianza que Uds. delegaron en mí, en mi amigo Cezar y en todos los que contribuyeron en la génesis de la Escuela Nordestina de Biodanza. En esa Escuela se realizará la unión del corazón iluminado a la conciencia.

Receban todo mi amor"

Rolando Toro

A partir de 1983, definiu-se as bases e interrelações do modelo operatório da Biodança, passando a extrapolar os limites do grupo regular de Biodança para o estudo de experiências interiores, resultante de estudos desenvolvidos por Rolando Toro sobre vivências do medo e da coragem de enfrentá-lo, por meio de exercícios específicos de auto-expressão. A este trabalho Toro denominou de Projeto Minotauro.

Em 1984, a filha de Rolando Toro, Verônica Toro e seu marido, Raúl Terrén, levaram, pela primeira vez, a Biodança à Europa, na França.

Em 1986, a dificuldade de Cézar Wagner de oferecer supervisão a todos os facilitadores licenciados no Nordeste, por conta da extensão da região, a Escola Nordestina de Biodança considerou ser necessário desmembrar-se em três, que assim ficou: Escola de Biodança da Bahia, Escola de Biodança de Pernambuco e Escola de Biodança do Ceará.

Em 1989, a convite dos amigos Giovanni Salvatti e Emmi Mozzetti-Monterumici para realizar um programa de difusão do sistema Biodança, Rolando Toro decidiu ir morar na Itália para implantar a Biodança na Europa. Em Paris e em Marselha contou com a colaboração de Ana Leila, também formada na Escola de Biodança em Fortaleza.

Em 1990 há algumas modificações no modelo teórico, entre elas o deslocamento da identidade que sai do eixo horizontal passando a permear todo o modelo.

A sistematização da teoria da Biodança originou-se na época da Escola Nordestina, resultante de um perseverante e paciente trabalho realizado por Cézar Wagner, iniciado com o recolhimento de inúmeros textos escritos por Rolando Toro que encontravam-se espalhados por toda a América Latina nas mãos de diversas pessoas. Foi um ano de intenso e difícil trabalho. Seu trabalho de sistematização desse material reunido resultou em quinze volumes que constituíram a Teoria da Biodança.

Como material pedagógico para as escolas de biodança foram elaborados Catálogos de Biodança a partir desses volumes e da experiência de alguns facilitadores.

Nosso país, o Brasil, é considerado o berço de desenvolvimento da Biodança por ter sido aqui o lugar em que foi amplamente aceita, reconhecida, organizada, expandida e onde sua teoria foi desenvolvida, elaborada e sistematizada.

Em dezembro de 1991 Rolando Toro retornou ao Chile para realizar uma grande maratona de Biodança, marcando o início de sua estruturação naquele país.

Com o tema Biodança, 27 anos depois, realizou-se em Fortaleza, o II Congresso Internacional de Biodança.

Em 1994 foi criada a Escola de Biodança do Piauí.

Também em 1994, o modelo teórico da Biodança é mais uma vez modificado em consonância com os estudos desenvolvidos de que há um continuum do transe entre a consciência intensificada de si mesmo e a regressão à origem (fusão com o cosmo) que, no modelo de 1990, estava representado pela consciência diminuída de si mesmo.

A Biodança vem ganhando espaço, inclusive internacionalmente, por uma estratégia mundial, num esforço de estruturação e organização. É encontrada em toda a América Latina, Europa e África.

Na Europa foram criados grupos de Biodança na Suíça com trabalhos realizados por Gorettie e Allan que tiveram sua formação na Escola Nordestina de Biodança. Mais tarde, consolidou-se a Escola de Formação na Suíça que, posteriormente, foi assumida por Nadia Robin.

Atualmente Rolando Toro era o Presidente da International Biocentric Foundation, com sede na Inglaterra, fundada por ele.

Em 1997, Rolando Toro voltou a residir no Chile. Hoje coordena as atividades do movimento Biodança em todo o mundo. Criou a Escuela Modelo de Biodanza e diversos cursos, entre os quais "Curso de Actualización y Formación de Didactas de Biodanza".

No ano de 2000, é publicada a edição italiana Biodanza e a portuguesa, no Brasil, em 2002.

O primeiro livro publicado por Rolando Toro foi Projeto Minotauro organizado por Eliane Matuk. Atualmente, Claudete Sant'Anna, juntamente com Rolando, cuidavam da administração e da coordenação das atividades da Biodança em todo mundo.

A visão biocêntrica de mundo resultou na elaboração do princípio biocêntrico, seu paradigma de sustentação. Essa nova compreensão de mundo vem promovendo mudanças culturais e metodológicas em várias dimensões de atuação do ser humano, influindo no mundo organizacional das empresas - melhorando qualitativamente seus processos relacionais humanos e da própria organização; na pedagogia - que originou a Educação Biocêntrica; nas atividades ligadas à saúde; e, principalmente, na atuação de cada pessoa que dela tenha conhecimento e nela se lance, tornando-se referência para possibilidades de mudanças de comportamento mais saudáveis.

O futuro da Biodança é incerto, como todo trabalho futuro pos-morten de seu criador, em geral, se torna uma incógnita, principalmente quando há questões de herança de direitos autorais envolvidos, muitas vezes envolvendo pessoas não comprometidas com seriedade na sua continuidade, com as bases teóricas que lhe sustentaram em algumas escolas no mundo até hoje. Saliento que essa base teórica foi de crucial importância para o desenvolvimento da Biodança e foi o que a levou ao patamar atual de seriedade e de reconhecimento onde assim se dirige. Infelizmente, há hoje duas formas de se fazer Biodança: a do "oba-oba" e a com bases científicas comprometida com a estruturação das sessões de modo que promova um melhor resultado para o desenvolvimento e integração da pessoa no mundo.

Polêmicas à parte, sou profundamente grata a Rolando Toro por sua genial criação que busca promover mudanças e melhorias profundas nas pessoas de forma integrativa com a vida e com tudo que existe. O estudo da Biodança e a sua vivência na Escola de Biodança e nos grupos promoveram em mim maravilhas.

Que sua dança de vida continue florescendo!






15 de mai. de 2009

Mudança climática será o maior flagelo do século 21

Saiu hoje nos noticiários:

Nem aids nem gripe suína. A maior ameaça para a saúde no século 21 são as mudanças climáticas, que trarão ondas de calor, falta de alimento e, para países tropicais como o Brasil, um avanço da malária, cólera e da dengue. A solução não está apenas em reduzir as emissões de CO2, mas tirar milhões da pobreza e mudar o padrão de vida da camada mais rica. Pesquisa da revista The Lancet e da University College de Londres alerta que as maiores vítimas serão os pobres, mesmo que não sejam os maiores poluidores.

Sistemas de saúde de muitos países poderão ser colocados sob alta pressão e alguns até entrariam em colapso. A ?injustiça social? da questão climática é um dos focos do alerta. Segundo o estudo, essa desigualdade será ?uma fonte de vergonha histórica para nossa geração se nada for feito?. O texto diz que ?os ricos verão que estão vivendo em um mundo mais caro, inconveniente, desconfortável e mais imprevisível. Os pobres morrerão?.

A pesquisa diz que as previsões de alta na temperatura são conservadoras e indica que uma elevação de 2°C já seria desastrosa. Entre 260 milhões e 320 milhões de pessoas a mais do que o normal seriam afetadas pela malária até 2080. Na África, a elevação de 1°C multiplicaria por dez o número de mosquitos. A dengue seguiria padrão similar e doenças como esquistossomose e leishmaniose também cresceriam.

FONTE: http://www.opovo.com.br/saude/877865.html

E o meu comentário:

O ser humano não tem competência nenhuma para gerir sua existência enquanto humanidade. Perde-se em riquezas materiais, holofotes, poder, supérfluo, maquilagem... Usando a linguagem que a maioria das pessoas conhecem, a do poder/dinheiro, é como entregar a gestão da maior e mais rica empresa do mundo que vocês possam conhecer a traficantes. Num piscar de olhos dilapidam, roubam, aviltam, assasinam ... E isto tudo está acontecendo num piscar de olhos em relação aos milhões de anos de existência do planeta Terra...que não é nosso, é de todos os seres vivos que aqui habitam. Nós somos a pior espécie que já pisou estas terras.



6 de mai. de 2009

O QUE FAZER NA ATUAL CRISE MUNDIAL

Bem. Em primeiro lugar, há que se pensar: de qual crise se está querendo falar: financeira, ambiental, alimentar, saúde, social, cultural...? Pois é, infelizmente devemos ressaltar que há várias crises graves acontecendo concomitantemente. Algumas, com efeitos de curtíssimo prazo, dão "ibope" porque mexem diretamente nos bolsos das pessoas, como a financeira. Outras, com conseqüências, às vezes mais desastrosas ainda para toda a humanidade, não chamam tanto a atenção.

É o que estamos vivendo neste momento. Há poucos meses, antes de explodir no mundo a crise financeira americana, havíamos postado no blog Cultura Biocêntrica o relatório da WWF que alerta os seres humanos, habitantes do Planeta Terra, para resultados ambientais desastrosos já em 2030, caso continuemos a consumir os recursos naturais e devolver ao planeta imensas quantidades de lixo, desde os perecíveis ou biodegradáveis de curto prazo até os que levam milhares de anos para serem absorvidos pela natureza. Isto é, em 2030 não haverão mais recursos naturais para manutenção da vida em nosso planeta. A leitura que faço de uma notícia dessa é calamitosa e quase nada ouvi nos noticiários sobre o assunto, quase nada ouço nas rodas de conversas.

A questão da fome mundial é outra notícia conhecida nossa de anos e anos, acompanhadas de todas as formas de ferramentas necessárias para sensibilização: imagens, textos, discussões, etc.

Hoje recebi mais uma dessas mensagens instantaneamente chocantes que rodam a Web. Chamo de instantâneas, porque percebo que elas sacodem as pessoas enquanto as lêem e depois passam para o nível do esquecimento, retornando à memória, apenas quando se ouve algum comentário sobre o assunto, para se mostrar que está "por dentro ". A verdade é que a grande maioria está "por fora" de atitudes próprias e individuais que mobilizem uma cadeia de atitudes revolucionárias em nosso comportamento individual e relacional com a vida como um todo.

Precisamos de atitudes já, agora, ontem...sem delegar a outros. Todos nós, sem exceção, somos responsáveis por tudo o que está acontecendo em nossa casa Terra. Então, comece em sua própria casa, consuma somente o que realmente é importante e ecologicamente viável, economize a tão preciosa água, a energia, minimize seu lixo, prefira o que é saudável para todos e para o planeta, se puder prefira o ônibus ou metrô, melhor ainda se puder usar bicicleta ou ir a pé mesmo....são tantas possibilidades que podemos escolher! Basta procurar. A Web está aí para isso, socializar e compartilhar novos e bons conhecimentos. Todos podemos escolher, sempre!

Sobre o texto que comentei, fazendo referência ao autor ali citado (sem garantia), o reproduzo a seguir. É exatamente o que vinha debatendo sobre tudo isso.

Irene Nousiainen


Texto do Vice-Presidente de Criação e sócio da Bullet, Muniz Neto, sobre a crise mundial.

"Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.

Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos e aquela famosa deitada sobre si mesma, pele e osso, com um urubu faminto atrás somente à espera de que seu prato esteja pronto para degustação.

Os slides se sucedem.

Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.

Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.

São imagens de miséria que comovem.

São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.

Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para
sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários
para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce? Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.

Não sei como calcularam este número. Mas digamos
que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.

Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.

É uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.

Se quiser, repasse. Se não, o que importa?

O nosso almoço tá garantido mesmo..."

8 de abr. de 2007

O HOMEM NÃO É O CENTRO DA CRIAÇÃO...

Existe um centro? Existe UM ponto de partida? Existe UM início? Sinto a vida como um emaranhado infinito de acontecimentos que se criam e se recriam a todo instante em infindo processo. Como pode alguém se arvorar como centro da criação? Essa é uma visão egocêntrica. Mas o ser humano pode contribuir para que toda essa teia se fortaleça, cuidando dela como quem cuida de sua família - pois sim, esta é a nossa família terrena-, promovendo segurança, proteção, cuidado com um profundo amor pela vida!!!

JEITINHO BRASILEIRO

Escrevi o que penso sobre jeitinho brasileiro num momento muito inspirado:

"Tá longe de ser só um jeitinho e muito perto de...

O jeitinho brasileiro nada mais é que roubar, enganar, tirar proveito, passar por cima dos outros, ganhar vantagem. Gosta do jeitinho brasileiro quem é egoísta, individualista, egocêntrico, só enxerga o próprio umbigo...os outros...quem? os outros? o que é isso? Fodam-se os outros...esse é o tal do jeitinho brasileiro que empesteou o Brasil , que faz desse país, que é um lugar lindo, privilegiado pela natureza, mas habitado pela escória do jeitinho brasileiro.
Alguém aí sabe o que significa cidadania?"

Irene Nousiainen