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19 de mai. de 2009

SÓ ENTENDE QUEM É CEARENSE

O Linguajar Cearense
De Josenir A. de Lacerda
da Academia dos Cordelistas do Crato - Ceará - Brasil




Todo poeta de fato
É grande observador
Seja da rua ou do mato
Seja leigo ou professor
Faz verdadeira pesquisa
Vasto estudo realiza
Buscando essência e teor

Por esse nato talento
Na hora de versejar
Busca o tema e o momento
Visa o leitor agradar
Não sente conformação
Se não passa a emoção
Que dentro do peito está

Neste cordel-dicionário
Eu pretendo registrar
O rico vocabulário
Da criação popular
No Ceará garimpei
Juntei tudo, compilei
Ao leitor quero ofertar

Se alguém é desligado
É chamado de bocó
Broco, lerdo e abestado
Azuado ou brocoió
Arigó e Zé Mané
Sonso, atruado, bilé
Pomba lesa e zuruó

Artigo novo é zerado
Armadilha é arapuca
O doido é abirobado
Invencionice é infuca
O matuto é mucureba
Qualquer ferida é pereba
Mosquito grande é mutuca

Quem muito agarra, abufela
Briga pequena é arenga
Enganação, esparrela
Toda prostituta é quenga
Rapapé é confusão
De repente é supetão
Insistência é lenga-lenga

Qualquer tramóia é motim
Solteira idosa é titia
Mosquitinho é mucuim
Recipiente é vasia
Meia garrafa é meiota
O exibido é fiota
Travessura é istripulia

Bebeu muito é deodato
Brisa leve é cruviana
O sujeito otário é pato
Cigarro curto é bagana
Fugir é capar o gato
O engraçado é gaiato
Quem vai preso tá em cana

Ter mesmo nome é xarapa
Muito junto é encangado
Água com açúcar é garapa
Cor vermelha é encarnado
Muita coisa dá mêimundo
Sendo Mundim é Raimundo
Valentão é arrochado

A rede velha é fianga
Com raiva é apurrinhado
Careta feia é munganga
Baitinga é o mesmo viado
O bom é só o pitéu
Bajulador, xeleléu
Sem jeito é malamanhado

Bater fofo é não cumprir
tecetera é escambau
Sujar muito é encardir
Quem acusa, cai de pau
Confusão é funaré
Carta coringa é melé
Atacar é só de mau

Qualquer botão é biloto
Mulher difícil é banqueira
Pequenino é pirritoto
Estilingue é baladeira
Qualquer coisa é birimbelo
Descorado é amarelo
Sem requinte é labrocheira

Um perigo é boca quente
Porco novo é bacurim
Atrevido é saliente
Quem não presta é corja ruim
Dedo duro é cabuêta
A perna torta é zambêta
Coisinha pouca é tiquim

Parteira era cachimbeira
Dar mergulho é tibungar
Tem cucuruto, moleira
Olhar demais é cubar
Tem ainda ternontonte
Que vem antes do antonte
Ver de soslaio é brechar

Quem briga bota boneco
Sem valor é fulerage
Copo pequeno é caneco
Estrada boa é rodage
O tristonho é capiongo
Galo ou inchaço é mondrongo
E a ralé é catrevage

O velho ovo estrelado
É o bife do oião
Nervoso é atubibado
Repreender é carão
O zarôlho é caraôi
Enviezado, zanôi
Inquieto é frivião

A perna fina é cambito
Dar o fora é azular
Muito magrelo é sibito
Pisar manco é caxingar
Rede pequena é tipóia
Tudo bem é tudo jóia
Fazer troça é caçoar

A expressão 'dá relato'
Que atinge mais de légua
'Tá ca peste!' 'Só no Crato!
'Tá lascado!' e 'Aarre égua!'
'Corra dentro!' ' Qué cirmá? '
'É de rosca? 'Éé de lascar! '
'Vôte!' 'Ôxente! 'Isso é paid'égua!'

Se é muito longe, arrenego
Que Deus do céu nos acuda
É pra lá da caixa prego
Lá no calcanhar do juda
Nas bimboca ou cafundó
Nas brenha ou caixa bozó
Onde o vento a rota muda

Se é cheia de babilaque
É ispilicute ou dondoca
Ligeiro é 'que nem um traque'
Agachado é tá de coca
Sem rumo é desembestado
O faminto é esguerado
Bolha na pele é papoca

Chamuscado é sapecado
Nuca, cangote é cachaço
Meio tonto é calibrado
A coluna é espinhaço
Se está adoentado
Tá como diz o ditado:
'da pucumã pro bagaço'

Cearense tem mania
Chama todo mundo Zé
Zé da onça, Zé de tia
Zé ôin ou Zé Mané
Zé tatá ou Zé de Dida
Achando pouco apelida
Um bocado de Zezé

Fazer goga é gaiofar
O que é longo é cumprissaio
Provocar é impinjar
Toda pilôra é desmaio
Salto ligeiro é pinote
Bando, turma é um magote
Cesto sem alça é balaio

A comidinha caseira
Tem fama no Ceará
Tipicamente brasileira
Faz o caboco babar
No bar do Mané bofão
Pau do guarda, panelão
O cardápio vou citar:

Sarrabulho, panelada
Mucunzá e chambari
Tripa de porco, buchada
Baião de dois com piqui
Tem pão de milho e pirão
Carne de sol com feijão
Tijolo de buriti

Quem é ruivo é fogoió
O tristonho é distrenado
Tornozelo é mocotó
Cheio de grana, estribado
Jarra de barro é quartinha
O banheiro é a casinha
Sem saída, 'tá pebado'

A bebida e o seu rol
No Ceará todo habita
A fubuia e o merol
A truaca e a birita
Amansa sogra ou quentinha
Engasga gato, caninha
A meropéia e a mardita

O picolé no saquinho
Aqui se chama dindin
Se é o dedo menorzinho
É chamado de mindin
Riso sonoro é gaitada
Confusão é presepada
Atrevido é saidin

Papo longo e sem valor
É 'miolo de pote'
Muito esperto é vívido
Adolescente é frangote
Soldado raso é samango
A lagartixa é calango
O tabefe é cocorote

A lista é quase sem fim
Não cabe num só cordel
Tem alpercata, alfinim
Enrabichada e berel
Chué, baé, avexado
Bãe de cúia, ôi bribado
Quebra-queixo e carritel

Tem visage, sarará
Tem bruguelo e inxirido
Rabiçaca e aluá
Ispritado e zói cumprido
Bunda canastra, lundu
Dona encrenca, sabacu
Bonequeiro e maluvido

O cearense é assim:
Dá cotoco à nostalgia
A tristeza leva fim
Na cacunda dá euforia
dá de arrudei na carência
Enrola a sobrevivência
e embirra na alegria

O INGLÊS DO CEARÁ OU CEARENGLISH

What the hell is that?
...Diabéisso?

Hurry up!
...Avia, homi!

Take it easy!
...Se avexe não!

Don't be stupid!
...Deixe de ser jumento

Let's go, fellows!
...Rumbora, negada!

No thanks!
...Carece não!

Very far away!
...Lá na casaducarai!

Very good!
...Danado de bom!

This way...
...Pêralí...

More or less ...
...Marromeno...


Straight ahead...
...No rumo da venta...
...No rumo da renta...

Get out of the way!
...Ó umêi!
...Sai do mêi!
...Arreda, negrada!

That's cool!
...É pai d'égua!

I give up!
...Eu peço penico!

Wait for me!
...Perainda!

Hey, mister!
...Psiu! Ei, seu Zé!

Son of a bit...!
...Fíi duma égua!

Come to me, baby!
...Ande, Tonha!

Where are you going?
...Onturrai?

Where are you comming from?
...Donturreim?

Terremoto de 7° na escala Richter em Icó no Ceará

Depois dos terremotos ocorridos na Ásia, o Governo Brasileiro resolveu instalar um sistema de medição e controle de abalos sísmicos, que cobre todo o país. O então recém-criado Centro Sísmico Nacional, poucos dias após entrar em funcionamento, já detectou que haveria um grande terremoto no Nordeste do país. Assim, enviou um telegrama à Delegacia de Polícia de Icó, uma cidadezinha no interior do Estado do Ceará. Dizia a mensagem:

"Urgente. Possível movimento sísmico na zona.
Muito perigoso. Richter 7. Epicentro a 3 km da cidade. Tomem medidas e informem resultados com urgência."

Somente uma semana depois, o Centro Sísmico recebeu um telegrama que dizia:

"Aqui é da Polícia de Icó. Movimento sísmico totalmente desarticulado. Richter tentou se evadir, mas foi abatido a tiros. Desativamos as zonas e todas as putas estão presas. Epicentro, Epifânio, Epicleison e os outros cinco irmãos estão detidos. Não respondemos antes porque houve um terremoto da p... aqui"

15 de mai. de 2009

Mudança climática será o maior flagelo do século 21

Saiu hoje nos noticiários:

Nem aids nem gripe suína. A maior ameaça para a saúde no século 21 são as mudanças climáticas, que trarão ondas de calor, falta de alimento e, para países tropicais como o Brasil, um avanço da malária, cólera e da dengue. A solução não está apenas em reduzir as emissões de CO2, mas tirar milhões da pobreza e mudar o padrão de vida da camada mais rica. Pesquisa da revista The Lancet e da University College de Londres alerta que as maiores vítimas serão os pobres, mesmo que não sejam os maiores poluidores.

Sistemas de saúde de muitos países poderão ser colocados sob alta pressão e alguns até entrariam em colapso. A ?injustiça social? da questão climática é um dos focos do alerta. Segundo o estudo, essa desigualdade será ?uma fonte de vergonha histórica para nossa geração se nada for feito?. O texto diz que ?os ricos verão que estão vivendo em um mundo mais caro, inconveniente, desconfortável e mais imprevisível. Os pobres morrerão?.

A pesquisa diz que as previsões de alta na temperatura são conservadoras e indica que uma elevação de 2°C já seria desastrosa. Entre 260 milhões e 320 milhões de pessoas a mais do que o normal seriam afetadas pela malária até 2080. Na África, a elevação de 1°C multiplicaria por dez o número de mosquitos. A dengue seguiria padrão similar e doenças como esquistossomose e leishmaniose também cresceriam.

FONTE: http://www.opovo.com.br/saude/877865.html

E o meu comentário:

O ser humano não tem competência nenhuma para gerir sua existência enquanto humanidade. Perde-se em riquezas materiais, holofotes, poder, supérfluo, maquilagem... Usando a linguagem que a maioria das pessoas conhecem, a do poder/dinheiro, é como entregar a gestão da maior e mais rica empresa do mundo que vocês possam conhecer a traficantes. Num piscar de olhos dilapidam, roubam, aviltam, assasinam ... E isto tudo está acontecendo num piscar de olhos em relação aos milhões de anos de existência do planeta Terra...que não é nosso, é de todos os seres vivos que aqui habitam. Nós somos a pior espécie que já pisou estas terras.



13 de mai. de 2009

ÉTICA E FELICIDADE

Alguém pode não saber ler ou nunca ter ouvido falar de ética, mas só

será feliz se for ético. Ética não é uma condição que a gente tem de

atender para agradar a empresa ou ao chefe; não é recitar códigos ou

doutrinas.

Ética é o que fica da vida que levamos, das coisas que fazemos todo

dia, agora; é o saldo que resta em nosso coração das ações que

praticamos. Não se pode aprender ética apenas em livros ou em aulas e,

menos ainda, em palestras. Ela está lá no Evangelho de Jesus: no

Sermão da Montanha e em muitas outras passagens. Mas não é difícil

encontrar a ética dentro de nós, saber o melhor caminho a seguir.

A felicidade de comercial não é sustentável. A satisfação dos

cartões de crédito, do consumo, dos vícios ou da corrupção. A

felicidade que tira dos outros, diminui muito mais de nós mesmos. Isto

não é moralismo, não é pieguice, é realidade! "Ignorante" é o nome

dado por Sócrates a quem ainda não sabe disso. Todo mundo vai

descobrir que o mal não vale a pena, que o egoísmo não constrói nada,

só estraga, destrói. De uma maneira ou de outra vai descobrir disso. A

boa vontade será a melhor maneira e a decepção, a pior. . .

Não precisamos sofrer tanto para aprender que a vida é muito mais

ajudar e compartilhar do que competir, ferir e derrotar. Quem tem o

coração cheio de amor, tem ética, naturalmente. Ética é não estar

preocupado com a reputação, mas com o caráter. O comportamento

espontâneo, generoso e fraterno, é ético.

Quando a ética não é uma escolha, mas um dever imposto pela

consciência, isto é ética. Quando estamos empenhados em dar o melhor

de nós e não em sermos os primeiros, isto é ética.

Quando nos esforçamos para ter bondade e não para aparentar bondade,

isto é ética.

Quando o cuidado com os sentimentos dos outros lapida a dureza das

palavras, isto é ética.

Quando olhamos para os outros e nos colocamos no lugar deles, quando

vemos Deus nos outros, isto é ética. Quando perdoamos, deixando espaço

livre na nossa memória para paisagens de ternura e humanidade, isto é

ética.

Quando descobrimos uma qualidade nova em alguém que não gostamos,

isto é ética. Quando identificamos em nós algum defeito e enxergamos

como a vida é maravilhosa, isto também é ética.

Quando não nos vingamos de quem nos prejudicou, mesmo tendo a

oportunidade ideal, isto é ética. Quando olhamos os filhos dos outros

como nossos próprios filhos e os empregos dos outros como o nosso

"ganha pão", isto é ética. Quando sabemos que o dinheiro, o conforto,

a posição ou o status de que desfrutamos são apenas privilégios e não

direitos, pois podem nos ser tirados a qualquer momento pelo

infortúnio, pelo imponderável ou pela morte: isto é ética!

Quando aquilo em que acreditamos não é expresso como uma declaração

de princípios, mas sai da nossa boca como poesia, isto é ética! Quando

somente conseguimos conspirar pela felicidade dos outros, isto é

ética.

Quando sabemos que o amor pela pedra, pelo inseto, pela planta, pela

brisa e por todas as coisas, que a ação em benefício de alguém que nem

conhecemos e que a gratidão pela vida são tesouros permanentes, isto é

ética. Quando sentimos que o amor invadiu cada sílaba que

pronunciamos, cada lembrança, cada gesto, olhar e tarefa, enfeitando o

templo do coração com as flores do bem, isto é felicidade.. .


Texto recebido por e-mail e atribuído ao

Prof. Emerson Barros de Aguiar, doutor em Filosofia pela Universidad

de Zaragoza (Espanha), Escritor e Professor Universitário em João

Pessoa (PB).

11 de mai. de 2009

ISSO DE AMIZADE...

Ah, esse fenômeno instigante, o das amizades que se mantêm independentes da convivência. Será amizade? Será saudade comum dos anos vividos em amizade? Será saudade dos anos felizes ou uma afinidade que se espraia no tempo? Não sei responder. Sei que com algumas pessoas – poucas – há uma insistência teimosa em desejar ver, trocar idéias e experiências, creio, pela certeza da reciprocidade e do “ser aceito”

Sim, talvez seja a certeza de ser aceito, uma das maiores necessidades humanas neste mundo de incompreensões. Talvez seja a necessidade da existência de certeza prévia de acolhimento ao que somos, como somos e ao que pensamos, o fermento da amizade. O mistério da amizade talvez resida no alívio que traz a existência de alguém que nos acolha. Digo acolha e, não, recolha – aí já seria dependência de um lado e paternalismo do outro.

Acolher significa receber de bom grado, previamente, sem julgamentos ou resistências. É molesto o fato de que os seres humanos vivam a julgar e que suas opiniões prévias interponham barreiras na comunicação, dificultando-a. O mistério da afinidade consiste na inexistência das resistências ao outro, mesmo quando haja discordância. Isso não deriva apenas de afeto. Quantas vezes há afeto entre as pessoas sem, porém, a aceitação natural, espontânea e prévia?

Verifique nas amizades tidas e vividas ao longo da vida, o que delas restou. Haverá muita vivência, boa e má. Raramente, porém, restará a amizade... com os anos, vão se tornando escassas as amizades que atravessaram o terreno íntimo que lhes é próprio sem arranhões e sem mágoas, restando, como fruto, após ingentes experiências humanas e existenciais, apenas – e já é tanto... – a amizade.

Amizade é o que resta da amizade. Se o que resta de uma amizade é amizade, então amizade é. Da verdadeira!

Texto recebido por e-mail e autoria atribuída a
Artur da Távola

10 de mai. de 2009

Atonismo

Você aqui perdido
nesse triste sobe e desce intelectual
nasceu de um brilho flamejante
na espada que corta e dilacera
a língua ruída da solidão e descrença.

Vai você vai
siga seu caminho anônimo e perâmbulo
sonâmbulo e sem rumo
cego e surdo
a gritar rumores amores e desamores

onde ficará a semente?
Nascerá?
o vento muda e se vai
o frio congela
o sol queima
nada revela-se
Haverá força para sobreviver?
Uma luz no brilho da esperança.

Irene Nousiainen
10/05/2009

6 de mai. de 2009

O QUE FAZER NA ATUAL CRISE MUNDIAL

Bem. Em primeiro lugar, há que se pensar: de qual crise se está querendo falar: financeira, ambiental, alimentar, saúde, social, cultural...? Pois é, infelizmente devemos ressaltar que há várias crises graves acontecendo concomitantemente. Algumas, com efeitos de curtíssimo prazo, dão "ibope" porque mexem diretamente nos bolsos das pessoas, como a financeira. Outras, com conseqüências, às vezes mais desastrosas ainda para toda a humanidade, não chamam tanto a atenção.

É o que estamos vivendo neste momento. Há poucos meses, antes de explodir no mundo a crise financeira americana, havíamos postado no blog Cultura Biocêntrica o relatório da WWF que alerta os seres humanos, habitantes do Planeta Terra, para resultados ambientais desastrosos já em 2030, caso continuemos a consumir os recursos naturais e devolver ao planeta imensas quantidades de lixo, desde os perecíveis ou biodegradáveis de curto prazo até os que levam milhares de anos para serem absorvidos pela natureza. Isto é, em 2030 não haverão mais recursos naturais para manutenção da vida em nosso planeta. A leitura que faço de uma notícia dessa é calamitosa e quase nada ouvi nos noticiários sobre o assunto, quase nada ouço nas rodas de conversas.

A questão da fome mundial é outra notícia conhecida nossa de anos e anos, acompanhadas de todas as formas de ferramentas necessárias para sensibilização: imagens, textos, discussões, etc.

Hoje recebi mais uma dessas mensagens instantaneamente chocantes que rodam a Web. Chamo de instantâneas, porque percebo que elas sacodem as pessoas enquanto as lêem e depois passam para o nível do esquecimento, retornando à memória, apenas quando se ouve algum comentário sobre o assunto, para se mostrar que está "por dentro ". A verdade é que a grande maioria está "por fora" de atitudes próprias e individuais que mobilizem uma cadeia de atitudes revolucionárias em nosso comportamento individual e relacional com a vida como um todo.

Precisamos de atitudes já, agora, ontem...sem delegar a outros. Todos nós, sem exceção, somos responsáveis por tudo o que está acontecendo em nossa casa Terra. Então, comece em sua própria casa, consuma somente o que realmente é importante e ecologicamente viável, economize a tão preciosa água, a energia, minimize seu lixo, prefira o que é saudável para todos e para o planeta, se puder prefira o ônibus ou metrô, melhor ainda se puder usar bicicleta ou ir a pé mesmo....são tantas possibilidades que podemos escolher! Basta procurar. A Web está aí para isso, socializar e compartilhar novos e bons conhecimentos. Todos podemos escolher, sempre!

Sobre o texto que comentei, fazendo referência ao autor ali citado (sem garantia), o reproduzo a seguir. É exatamente o que vinha debatendo sobre tudo isso.

Irene Nousiainen


Texto do Vice-Presidente de Criação e sócio da Bullet, Muniz Neto, sobre a crise mundial.

"Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.

Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos e aquela famosa deitada sobre si mesma, pele e osso, com um urubu faminto atrás somente à espera de que seu prato esteja pronto para degustação.

Os slides se sucedem.

Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.

Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.

São imagens de miséria que comovem.

São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais.

A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.

Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para
sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.

Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários
para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce? Extinguir.

Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.

Não sei como calcularam este número. Mas digamos
que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.

Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse.

Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.

É uma pena que esse texto só esteja em blogs e não na mídia de massa, essa mesma que sabe muito bem dar tapa e afagar.

Se quiser, repasse. Se não, o que importa?

O nosso almoço tá garantido mesmo..."

30 de abr. de 2009

A FARRA DAS PASSAGENS AÉREAS NA CÂMARA

Valeu a pressão popular!
A Câmara retrocedeu e resolveu, aparentemente, criar regras dentro da moralidade exigida pelo serviço público.

Precisamos agora fazer uma corrente extensa de brasileiros para pressionar o serviço público a ser de fato transparente, publicando on line (isto é, atualização na hora), nos sites correspondentes de suas instituições, TODAS as receitas e despesas (de e para quem, quanto, quando, resumo discriminatório e responsável pela autorização). Não há porque buscar desculpas e desculpas de ordem administrativa para acobertamento dessa informações.

Dá trabalho? Nem tanto. Hoje, como tudo praticamente está informatizado, não é tão complicado oferecer estas informações a nós, o povo - elas são nossas por direito

Aí sem, teremos um excelente poder fiscalizador de onde e com quem está sendo gasto o dinheiro público e, então, de fato se criar possibilidades de diminuir a corrupção que arrasa, rouba e avilta nosso país.

Junte-se nessa corrente.
Repasse a idéia.



A notícia:
Redução de cota de passagens aéreas na Câmara vai gerar economia de R$ 17,9 mi
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil



Brasília - As novas regras de uso de passagens aéreas pelos parlamentares e o corte de 20% no valor dos créditos de passagens para cada deputado, acertadas hoje (28) pelos líderes e definidas em ato da Mesa Diretora da Câmara, vão gerar uma economia anual aos cofres da Casa da ordem de R$ 17,9 milhões. A informação foi dada pela assessoria de imprensa da Câmara.

Só com o corte de 20% nos créditos a economia anual será de R$ 15,5 milhões, enquanto que com o corte nas cotas extras de passagens a que cada líder partidário e que cada integrante da Mesa Diretora da Câmara tinha direito, a economia será da ordem de R$ 2,4 milhões por ano.

Pelas novas regras, só poderá usar a cota de passagem aérea o próprio deputado ou assessor, desde que autorizado pela Mesa Diretora. Agora, nem conjuge nem filho nem parentes do deputado poderão mais viajar com a cota de passagem do parlamentar.

Mesmo com as mudanças nas regras de uso de passagens aéreas, os oito deputados de Roraima vão continuar tendo a maior cota mensal. O valor era de R$ 18.737,44 e, com o corte de 20%, passou para R$ 14.989,95. Também os oito deputados do Distrito Federal vão continuar recebendo cota de passagem aérea. Eles recebiam mensalmente R$ 4.705,72 e agora vão receber R$ 3.764,58 por mês.

Essa cota de passagem aérea é para permitir que o deputado possa se deslocar semanalmente do seu Estado para Brasília, sede do Congresso Nacional. Ela é calculada de acordo com a distância do estado até a capital federal e se destina a quatro deslocamentos de ida e volta do estado à Brasília por mês.

22 de abr. de 2009

LEGISLADORES TAMBÉM PRECISAM URGENTE DE FORMAÇÃO EM SERVIÇO PÚBLICO

Remeti hoje esta mensagem a todos os deputados da Câmara:

"O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), afirmou hoje que os deputados que usaram passagens aéreas bancadas pela Casa fora da atividade parlamentar não cometeram nenhum ilícito."

Senhores Deputados,

Indignada, li a notícia acima.

De fato, não cometeram nenhum ilícito porque as regras permitiram atos anti-éticos. No entanto, quem tem senso ético não precisaria nunca de regras éticas claras para não usar dinheiro público em benefício próprio. Essa desculpa do Pres. da Câmara (pasmem! do Presidente da Câmara dos Deputados da República Federativa do Brasil!) e Dep. Michel Temer, infelizmente, mostra bem a cara das nossas instituições públicas, nas quais ainda existem e persistem regras de cunho individualista, clientelista e de patronagem.

O Brasil estará longe de uma solução definitiva para seu desenvolvimento enquanto NAÇÃO se nossos representantes (que são a cara do povo SIC!), os quais detêm o poder de realmente iniciar uma mudança substancial para melhor nesse país em todos os sentidos, continuarem a defender, em muitos momentos, primeiro seus próprios interesses colocando o individual acima da comunidade, da sociedade, da Nação. O movimento de um servidor público, que de fato seja um servidor do que é público para o público (de todos e não de uns tantos), parte primeiro para a consecução de estratégias e ações em prol do interesse da comunidade, para assim, chegar igualmente a todos os indivíduos que compõem a Nação.

Creio que com essa declaração infeliz do Presidente da Câmara e Dep. Michel Temer, fica mais claro ainda que representantes do povo estão precisando urgentemente de formação, treinamento, ou seja lá o que for, sobre o que é representar os interesses do povo acima de tudo, situação que se exclui os próprios interesses, uma vez que demonstram, como na declaração acima, não terem recebido esse tipo de ensinamento.

Mesmo os que não fizeram uso desse artifício em benefício próprio tinham obrigação de se movimentarem para impedir que esse desmando continuasse.

E aproveito para declarar, como cidadã, que sou absolutamente contra pagamento de passagens e outros benefícios ou seja lá o que for para parentes de servidores públicos ou qualquer outra pessoa que não o próprio servidor e comprovadamente a trabalho, desde o Presidente da República até o faxineiro da mais simples repartição, que não estejam nas regras também para TODOS os brasileiros.

Grata pela atenção.

Irene Nousiainen Sampaio - uma cidadã desesperançada - mais ainda diante de tal afirmação-, de que esse país se aprume e tome rumo longe do individualismo, do clientelismo, da patronagem, do interesse de grupos e de tantas práticas semelhantes comuns no serviço público deste nosso rico país dilapidado.
________________________

O Brasil melhoraria substancialmente se os senhores Deputados e Senadores só tivessem direito a qualquer benefício, além de um salário justo (não o exorbitante e desconexo com a realidade brasileira que ganham hoje), depois que o conseguissem para o povo brasileiro. Isso, sim, traria resultados para o povo e seria justo!

9 de mar. de 2009

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

Amei esse trecho do livro "Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra"...é lindamente poético e profundo.

.................................

As primeiras cartas

O importante não é a casa onde moramos.

Mas onde, em nós, a casa mora.

Avô Mariano


Escapo-me dali, me apressando entre os atalhos. Quando reentro em casa não encontro vivalma. Todos foram para o caminho da areia assistir à desgraça, consolando Ultímio. De soslaio, parece-me ouvir um ruído. Entro na sala fúnebre e nada vejo, senão o aquietado corpo do velho Mariano. Lá está o desfinado, entre flores e velas. Subo para o quarto. De novo, sobre a cabeceira, uma outra carta. A tremência em minhas mãos não me ajuda a ler:

Estas cartas, Mariano, não são escritos. São falas. Sente-se, se deixe em bastante sossego e escute. Você não veio a esta Ilha para comparecer perante um funeral. Muito ao contrário, Mariano. Você cruzou essas águas por motivo de um nascimento.

Para colocar o nosso mundo no devido lugar. Não veio salvar o morto. Veio salvar a vida, a nossa vida. Todos aqui estão morrendo não por doença, mas por desmérito do viver.

É por isso que visitará estas cartas e encontrará não a folha escrita mas um vazio que você mesmo irá preencher, com suas caligrafias. Como se diz aqui: feridas da boca se curam com a própria saliva. Esse é o serviço que vamos cumprir aqui, você e eu, de um e outro lado das palavras. Eu dou as vozes, você dá a escritura. Para salvarmos Luar-do-Chão, o lugar onde ainda vamos nascendo. E salvarmos nossa família, que é o lugar onde somos eternos.

Comece em seu pai, Fulano Malta. Você nunca lhe ensinou modos de ele ser pai. Entre no seu coração, entenda aquela rezinguice dele, amoleça os medos dele. Ponha um novo entendimento em seu velho pai. Às vezes, seu pai lhe tem raiva? Pois lhe digo: aquilo não é raiva, é medo. Lhe explico: você despontou-se, saiu da Ilha, atravessou a fronteira do mundo. Os lugares são bons e ai de quem não tenha o seu, congênito e natural. Mas os lugares nos aprisionam, são raízes que amarram a vontade da asa.

A Ilha de Luar-do-Chão é uma prisão. A pior prisão, sem muros, sem grades. Só o medo do que há lá fora nos prende ao chão. E você saltou essa fronteira. Se afastou não em distância, mas se alonjou da nossa existência. Antes, seu pai estava bem consigo mesmo, aceitava o tamanho que você lhe dava. Desde a sua partida ele se tornou num estranho, alheio e distante. Seu velhote passou a destratá-lo? Pois ele se defende de si mesmo. Você, Mariano, lhe lembra que ele ficou, deste lado do rio, amansado, sem brilho de viver nem lustro de sonhar.

Mia Couto. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 64-5.

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Resenha da Editora

Um jovem estudante universitário regressa à sua ilha-natal para participar no funeral de seu avô Mariano. Enquanto aguarda pela cerimónia ele é testemunha de estranhas visitações na forma de pessoas e de cartas que lhe chegam do outro lado do mundo. São revelações de um universo dominado por uma espiritualidade que ele vai reaprendendo. À medida que se apercebe desse universo frágil e ameaçado, ele redescobre uma outra história para a sua própria vida e para a da sua terra. A pretexto do relato das extraordinárias peripécias que rodeiam o funeral, este novo romance de Mia Couto traduz, de uma forma a um tempo irónica e profundamente poética, a situação de conflito vivida por uma elite ambiciosa e culturalmente distanciada da maioria rural. Uma vez mais, a escrita de Mia Couto leva-nos para uma zona de fronteira entre diferentes racionalidades...

Sobre Mia Couto:

Mia Couto (Beira, Moçambique, 1955) é um dos escritores moçambicanos mais conhecidos no estrangeiro. António Emílio Leite Couto ganhou o nome Mia do irmãozinho que não conseguia dizer "Emílio".

Filho de portugueses, Couto era militante da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) e lutou pela independência do país contra Portugal (1964-74). Foi um dos compositores do hino nacional de sua pátria e trabalhou para o governo durante a guerra civil (1976-92). Embora um pouco desapontado com os rumos tomados pela Frelimo, que abandonou o marxismo em 1990, ele ainda se diz simpático ao agora partido político, que continua no poder em Moçambique. Couto é um escritor acostumado aos prêmios. Em 2008, tornou-se o primeiro africano a vencer o União Latina das Literaturas Românticas, entregue em Roma, e seu primeiro romance, Terra sonâmbula, foi eleito um dos 12 melhores livros de toda a África no século XX. Fã dos escritores brasileiros, ele é, assim como Guimarães Rosa, um inventor de palavras – que, quando vêm à cabeça, anota em papéis e guarda no bolso para não esquecer.

10 de abr. de 2008

Um dia aprendi...

Um dia aprendi
Irene Nousiainen
08/04/2008

Nas idas e vindas desta vida,
sempre crente de que Deus
em tudo generosamente coloca sua vida,
venho aprendendo muitas coisas.
Neste caminhar até aqui,
dentre outras, aprendi que,
por pior que seja um problema ou uma situação,
o tempo em tudo dá um jeito
seja de que jeito for.
Aprendi que não há como fugir de momentos difíceis,
mas que tenho um grande poder:
o poder de escolher.
E assim, posso escolher a melhor saída para aquele momento.
Aprendi que na vida, nada é eterno,
nem de bom nem de ruim.
Graças a Deus!
Assim, as tempestades passam – e esse é um grande consolo!
Mas também os dias de sol se vão
e o segredo é saber usufruir deles o máximo.
Aprendi que na vida
o meio do caminho é a mais sábia escolha.
Quando escolho ir mais à margem
é quando quero conhecer um pouco mais do desconhecido,
crescer com isso.
Mas, sempre com o cuidado comigo mesma
de quem guia o outro com atenção, zelo e bondade.
Aprendi, também, que existem pessoas más, sim.
Infelizmente!
E que com estas não podemos nos relacionar
com a mesma imparcialidade, linguagem e entrega
que dedicamos a quem confiamos,
porque os limites precisam ser claros.
Aprendi que sonhos são importantes:
eles são a bússola de nossas vidas!
Aprendi, também,
que família é o alimento primordial de nossas vidas.
Mas, que nem todas as pessoas sabem disso.
Aprendi que amigos têm que ser poucos mesmo,
porque quanto melhor
a qualidade da relação, no cuidado, atenção e afeto,
mais profunda é a amizade.
Aprendi que passado e futuro são muito importantes,
porque eles nos dão cada vez mais
a possibilidade da melhor escolha.
Mas, que o presente é que escreve a nossa história.
Aprendi que sensibilidade
é uma qualidade melhor que a racionalidade,
porque permite
a intuição e uma visão mais ampliada e profunda da vida.
E que pessoas sensíveis sofrem mais,
porque no mundo ainda prevalece a racionalidade.
Aprendi que o importante na vida
é ser humano com qualidade
e participar da grandiosidade da vida
além da esfera do humano.
Porque ante de sermos humanos,
somos seres viventes,
compartilhando a dádiva da vida
com outros seres viventes
a possibilidade de viver.

3 de set. de 2007

Sabedoria feminina

Em todas as mulheres, sobretudo quando entram na maturidade, instala-se uma força subterrânea e invisível que se manifesta por meio de comportamentos inesperados, arroubos de energia, intuições perspicazes, ímpetos apaixonados: um impulso arrebatador e inesgotável que as impele obstinadamente rumo à salvação, à reconstrução de toda e qualquer integridade despedaçada. Como uma grande árvore que, quando ameaçada pela doença, golpeada pela intempérie, agredida pela fúria do homem, se recusa a morrer e, milagrosamente e com enorme dose de paciência e persistência, continua a nutrir-se através das próprias raízes, restaura-se e renasce para manter o próprio espírito vital de forma a poder gerar novos frutos, aos quais confiará esta herança inestimável.



Parte do texto de apresentação (contracapa) do livro A Ciranda das Mulheres Sábias de Clarissa Pinkola Estés.




Como me identifico com as palavras desse texto...maravilhoso!

1 de set. de 2007

paz
quero paz
calma
sossego
onde estarei?
onde encontrarei?
passos largos indo e vindo
em direção nenhuma
em todas as direções
perdas... ganhos...
sabe-se lá de que?

Irene Nousiainen

12 de ago. de 2007

Só de sacanagem

Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus, e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você

É mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora... e..

Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filhinha".
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo,
coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba" e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? IMORTAL! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!"

Só de sacanagem (texto)
Ana Carolina e Seu Jorge

13 de jul. de 2007

Festa pan do Pan 2007

Que festa linda de se ver...emocionante! Nossa! Do que o brasileiro não é capaz quando se junta pra fazer coisa boa e de qualidade.




Muito linda mesmo, pelas músicas, coreografias, cores, criatividade, cenários, pelas dezenas de milhares de voluntários, pelo chorinho alegre de recepção às delegações, pela brilhante idéia de organizar a festa de modo a permitir às delegações que assistissem à festa que é deles principalmente, pela orquestra sinfônica brasileira que arrasou, pelo público que delirou com as apresentações, pelo belíssimo design da pira e, principalmente, por nós brasileiros, esse povo de raça que quando quer sabe ser bonito, criativo, alegre, espetacular que deixa os estrangeiros babando.







Parabéns! Adorei!














(problemas de bastidores? Não quero nem saber!)
Fotos www.globo.com - lá tem muito mais

25 de abr. de 2007

Violência

Liberdade violada
Irene Nousiainen

A violência está solta...
violência banalizada
violência que rouba
mata
engana
ludibria
violenta violência
violência que viola
viola a liberdade
viola sentimentos
viola vidas

Meus sinceros pêsames
a cada um de nós
que hoje vivemos a violência
que hoje não vivemos a vida!

8 de abr. de 2007

O HOMEM NÃO É O CENTRO DA CRIAÇÃO...

Existe um centro? Existe UM ponto de partida? Existe UM início? Sinto a vida como um emaranhado infinito de acontecimentos que se criam e se recriam a todo instante em infindo processo. Como pode alguém se arvorar como centro da criação? Essa é uma visão egocêntrica. Mas o ser humano pode contribuir para que toda essa teia se fortaleça, cuidando dela como quem cuida de sua família - pois sim, esta é a nossa família terrena-, promovendo segurança, proteção, cuidado com um profundo amor pela vida!!!

JEITINHO BRASILEIRO

Escrevi o que penso sobre jeitinho brasileiro num momento muito inspirado:

"Tá longe de ser só um jeitinho e muito perto de...

O jeitinho brasileiro nada mais é que roubar, enganar, tirar proveito, passar por cima dos outros, ganhar vantagem. Gosta do jeitinho brasileiro quem é egoísta, individualista, egocêntrico, só enxerga o próprio umbigo...os outros...quem? os outros? o que é isso? Fodam-se os outros...esse é o tal do jeitinho brasileiro que empesteou o Brasil , que faz desse país, que é um lugar lindo, privilegiado pela natureza, mas habitado pela escória do jeitinho brasileiro.
Alguém aí sabe o que significa cidadania?"

Irene Nousiainen